Mostrar mensagens com a etiqueta Guarda-redes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guarda-redes. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, julho 17, 2013

Oito Maravilhas



No Verão de há 15 anos, não era a Expo ’98 nem o Portugal “in fashion” de Guterres que faziam sonhar o povo. Todos sabíamos que o que aquecia os nossos corações era o aproximar de mais uma época de bola… e esta colecção em particular, de uma qualidade gráfica a roçar os melhores trabalhos de 1940 (coincidentemente, outro ano de exposição lusa ao mundo).

Na pérola do Atlântico, este guardião belga cimentava a sua posição entre os postes. Um nome forte, suficientemente exótico mas razoavelmente pronunciável, e um queixo quadrado à lá Stan Smith. Foi o último de uma linhagem de guardiães da terra do Tintin que adocicaram as nossas cadernetas, depois dos bons auspícios de Hubart, passando pelo anti-vedetismo de Preud’Homme e decaindo para a marreca do De Wilde. Van der Straeten caiu injustamente no esquecimento, mas se quiserem podem visitar a sua página no Facebook e segui-lo só por uma questão de compaixão. Todos os likes serão bem-vindos e ajudarão Van der Straeten a fazer as pazes com o seu ego.

À frente de Straeten, Alex Bach. A grande dúvida à volta de Bach era se pronunciá-lo como “bache”, “baque” ou “barrh” – chamá-lo só Alex era quase sacrilégio depois do retumbante êxito de Alex, o Bunbury. A outra dúvida era se o tipo era mesmo descendente do compositor, o que poderia conferir-lhe um certo prestígio que nunca justificou em campo. Com tantas indecisões, Alex not Beethoven demorou a afinar marcações, falhou alguns tempos de salto, deu sinfonias de como não jogar em linha e foi escrever árias para outra freguesia finda esta época… para nunca mais voltar a jogar fora do seu país. O Passo Fundo, o Sapiranga e o Chapecoense que o digam.

Rodando a agulha para Chaves, damos de caras com uma cara sobejamente conhecida… aparentemente. Este parece, numa primeira instância, o velho Filipe, tão largamente dissertado nestas páginas etéreas. Mas numa vista mais cuidada, notamos que, na verdade, é o seu gémeo perdido, o Filife. Filipe era devastação, Filife era criação. Filipe cravava pitons, Filife cravava trocos para a disco. Filife é uma contracção anglicista de “feel” + “life”, “sente a vida”. Como todos os que saboreiam a vida no limite, Filife teve vida curta e desapareceu dos radares após esta temporada. Filipe não ficou atrás e também se eclipsou nesta temporada dos palcos maiores do futebol indígena.

No velho Salgueiral ainda pululavam estrelas cadentes do futebol. E quando estas faziam finca-pé e teimavam em rejeitar o solene Vidal Pinheiro, então arranjavam-se imitações que faziam corar os originais. Senão de espanto, talvez de embaraço. Eis Schuster, não o genial alemão, mas o prodigioso transmontano Rui Miguel, que fez gala do seu penteado à tigela e da sua cara sacada a um anúncio seminal das batatas Pála-Pála. Viveu a “personna” de Schuster (sem “c”) com muito afinco. Isso levou-o a inquietar-se rapidamente com os ares de Paranhos, desatando a correr meio mundo. Com direito a visitar o óbvio Chipre, onde distribuía autógrafos em que assinava “I’m The Real-Fake Schuster”. 

Voltemo-nos agora para Coimbra, onde damos de caras com uma cara bem conhecida do showbiz internacional: nada menos que o aclamado Febras. Não, não é o Febras, que também é uma eminência à sua maneira, mas é o Mickey. Médio laborioso e conhecido mundialmente por namorar a ratinha mais famosa do Universo, foi mui respeitado nas hostes beirãs, nomeadamente pela claque Mancha Negra. Até que caiu a moeda e pensaram “Oh diabo, então a Mancha Negra apoia o Mickey? Temos sido muito Patetas…”. O paradoxo atingiu dimensões colossais e, aqui d’el Coronel Cintra, Mickey foi forçado ao exílio. 

A mística conimbricense, contudo, continuou presente nas mãos do Sr. Vítor Alves. É verdade, houve um Pedro Roma antes de Pedro Roma. Este secular senhor, aliás, já pouco mais fazia do que carregar a mística, pois jogar era coisa que já lhe pesava demasiado nas articulações. E só Deus sabia o quanto lhe custava aguentar com a mística e quantos emplastros foram necessários para levar a mística a bom porto. Nesse sentido, o trabalho que menos lhe custava era babar-se para uma garrafa enquanto estava no banco, garrafa essa que depois era ofertada como “água mineral da boa” aos caloiros da equipa.

Nesta turma de estudantes pontificava ainda o monossilábico Tó Sá, bastas vezes referenciado por aqui, mas cujo perfil só agora é condignamente exposto. Foi lateral de créditos firmados, pertencente a uma casta em que abundavam Tós no panorama nacional. E Zés e médios obscuros com II no nome também. E chegava a haver, numa conjugação perfeita, o Tó Zé II. E Tó Zés e Zé Tós no mesmo plantel. E quando Sá ainda era sinónimo de apelido de goleador de culto para alguns (sim, estamos em pensar em ti, Moreira de Sá) (não, por acaso não estávamos a pensar em ti, Orlando Sá) e não nome do meio para futuras vedetas pseudo-boxistas.

Pois, o Bira… Bira? “Mas quem é o Bira?”, é a nossa pergunta e a dos próprios companheiros de equipa, desde o Hugo Costa ao Caju. Se o Bira era bera… é bem provável que sim. A qualidade gráfica do cromo, essa sim, é indiscutivelmente (olá, Guilherme Aguiar) bera. Podemos dizer que Bira gostava de beber cerveja por uma palhinha. Ou podemos dizer que Bira dava cambalhotas sempre que ouvia Chitãozinho & Xoróró. Ou ainda que ele contava sempre aquela anedota do palhaço que foi encontrado no deserto todo nu e com um baralho de cartas na mão e ninguém percebia. Pode ser verdade, pode ser especulação, ninguém sabe e ninguém se importa. E isto é tudo o que se nos apraz dizer sobre o Bira. Já não é mau.

domingo, fevereiro 26, 2012

Canela & Açúcar Em Pó


A grande questão que paira actualmente sobre os Belenenses confunde-se com o anúncio da Zon: podemos ver futebol de primeira à mesma? Podemos, mas não é a mesma coisa.
Valha a verdade, até já o futebol de segunda se afigura suficientemente árduo para os azuis. Portanto, reajustemo-nos às novas circunstâncias e tenhamos calma; a mesma calma que o Estádio do Restelo emana das suas bancadas de cimento nu e frio, com o Tejo melancólico ao fundo a amparar os braços erguidos ao céu da Ponte e o Cristo-Rei a mandar um abraço lá da outra banda, soprando uma brisa fresca que transporta o doce aroma da canela e do açúcar em pó dos pastéis de nata acabados de cozer. Os Belenenses voltarão um dia a merecer uma fotografia que honre a família azul, como esta moldura impregnada de saudade.

Esta fotografia poderia ter sido tirada num dia de jogo, como se pode constatar pelo costumeiro frémito da maralha que enchia as bancadas do Restelo. Aqueles três tipos nos camarotes lá atrás eram mesmo danados para a festa. A equipa do seu coração equipava-se com o equipamento italiano do Mundial 90 – não há como disfarçar, nas golas está a bandeira de Itália; se o aproveitar destas sobras foi um tributo ou uma necessidade, não sabemos; mas lá que a Cruz de Cristo foi ali cerzida à pressão, lá isso foi. E há muito mais matéria por onde pegar, a saber:
- a omnipresença de Nito;
- o aspecto suspeito de Kobla;
- a finesse de Edmundo;
- the mood of the least happy of all Bulgarian players, sad Kov.
Mas nós vamos ignorar estes casos e avançar em direcção a outros, segundo recomendação do gabinete jurídico do Belenenses, instituição maior dentro da instituição-mãe e que já marcou quase tantos golos importantes como o Matateu ou o Chico Faria. Perante este parecer de tão reputado gabinete, aquiescemos sem reservas, mesmo contando com o apoio incondicional de António Fiúza para o que desse e viesse.
Mihaylov foi o Bejamin Button do futebol português. Foi adquirindo capacidades invulgares de rejuvenescimento com o passar do tempo. Nasceu sem próstata e com cataratas. Aos 15 anos apanhou uma crise ciática que quase interrompeu a carreira de jogador de dominó profissional. Aos 20 anos fez o seu primeiro jogo de futebol… à baliza, claro, que era coxo e precisava do poste para se agarrar. Aos 24 anos tornara-se num guarda-redes que pedia meças ao pico de forma do Best, embora ainda fosse incontinente e precisasse mais de Lindor anatómico do que de luvas. Aos 27 anos estava nos Belenenses, piscando o lho à selecção e dispensando o uso de medicamentos para corrigir a disfunção eréctil. Aos 31 anos, tinha cabelo com fartura e namoradas sem precisar de pagar-lhes uns quantos whiskeys, dando show nos EUA pela selecção. Nessa altura, Belém já era uma memória distante e Mihaylov um homem cada vez mais vigoroso. Depois aos 36, Mihaylov acabou o ensino secundário, integrou um casting para os "репички с оцет" (os “Morangos com Açúcar” da Bulgária) e nunca mais se soube dele. Pode estar a acompanhar a digressão do Justin Bieber, por exemplo.

Chalana dispensa apresentações. Ele próprio, reconheçamos, também não liga muito à apresentação. Contudo, o seu estilo ultra-blasé, a roçar o desmazelo puro, marcou pontos na década dourada dos torresmos, os anos 80. Com a chegada da proto-sofisticação dos anos 90, Chalana perdeu espaço e ganhou rugas, descendo a escada do sucesso aos trambolhões. Belém seria dos seus últimos estertores e daqui não leva boas recordações. Boas recordações leva de outros momentos, como nesta tertúlia entre “bigotis insignae”: Borges, o próprio Chalana e um tipo mascarado de Estaline com uns óculos supostamente engraçados.
Regressando a temas mais capilares, registamos o denodo belenense para emular artistas pop portugueses seus contemporâneos. Justino e Morato, em concreto, competiam em surdina para ser o fã nº1 de Marco Paulo (o cantor e não o actual treinador azul). Justino até talvez estivesse um passo adiante, como provou no cômputo das audições efectuadas, mas como não teve direito a cromo por ser eterno suplente, acabou por ser Morato a figurar na cover de um álbum apreendido numa feira em Ranholas.

Já Paulo Monteiro era um jogador polivalente que desenvolveu grande parte da sua carreira no Restelo e dali só saiu para ter prazer em representar o terceiro clube de outra cidade. Ele demonstrou de forma cabal a sua versatilidade ao inspirar um sem número de comparações graças à sua pomposa cabeleira.
Seria mais parecido com o seu primo Nel Monteiro?

Ou com José Malhoa (o pai da Ana e não o pintor naturalista)?

Ou seria com o José Cid?

Bom, o certo é que o rei vai nu e os Belenenses têm uma missão dura pela frente. E por muito inspiradores que sejam os cromos deste plantel, que não os levem muito à letra: é que esta equipa ficou em penúltimo no campeonato 1990/91.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

S. Valentim do Golo

No dia de S. Valentim, que não Loureiro, eis o raminho de flores que todos os namorados da bola esperavam, cortesia do You Tube: um célebre programa da mítica série “Golo, Golo, Golo”.

“Golo, Golo, Golo” assumiu proporções épicas naquela altura, época 1995/96, só comparáveis a outras séries de renome internacional como “Lost”, “House” e “Inspector Max”. Todavia, por uma infeliz e inexplicável casualidade, uma edição em DVD para coleccionadores com um poster da equipa do FC Felgueiras (que nessa época fez a sua única aparição no escalão máximo) ficou adiada sine die. Nem a RTP Memória sabe onde estão as fitas originais nesta altura.

Porém, houve uma alma caridosa que fez questão de disponibilizar esta relíquia no You Tube. Os mais maduros certamente embevecer-se-ão de nostalgia; os mais novos deverão ficar abismados com a interactividade RUDImentar deste talk-show de acção para guarda-redes.

Nesta instância, o guardião que se atreveu a desafiar a máquina, qual Schwarzenegger vs Predador num relvado sintético de primeira geração, foi Ivo, o Pagliuca de Moncarapacho e sombra de Peter Rufai, conforme bem sublinhado pelo apresentador Jorge Correia. A voz off de António Macedo, a energia contagiante dos South Side Boys e o ritmo braçal incessante de Stephanie & As Cheerleaders dos Pompons Coloridos eram ingredientes que conferiam um travo inconfundível a este prato kitsch-gourmet. Perante a frieza teclante de Walter, supostamente de Pinhel, Ivo apenas efectuou uma boa estirada, sem sucesso. Depois foi o vimaranense Zé Nuno que teclou, ou discou, duas vezes com sucesso. Ivo já estava a perder o sorriso, paralisado perante a eficácia assassina da máquina telefónica, pese embora os seus movimentos concentrados. Mas, por fim, lá fez uma defesa para gáudio do público, obtendo como prémio o merecido intervalo.

Na 2ª parte, um Fernando Tordo que foi confundido com Mendes, equipado a rigor com uma camisola da Bélgica – e que teve uma cantiga que se chamava “A Cantiga” –, não foi de modas e desfeiteou Ivo à primeira sem grande balanço. As restantes bolas, porém, não tiveram tanto sucesso e foram ter com os South Side. Depois de uma intervenção de um elemento da claque confuso entre a possibilidade de bater o seu ídolo ou ganhar uns cobres e de mais uma chamada, foi altura de fazer contas. No final, o bem-intencionado Ivo doou a considerável maquia de 99,76 euros a uma instituição de solidariedade.

Não deixem de visionar estes pedaços históricos de entretenimento televisivo. Incluindo a ironia do nome do responsável pela coreografia, revelado nos créditos finais: João Frango. Ou não fosse este um programa de guarda-redes.

sábado, abril 23, 2011

O "Efeito Guano Apes" em Santo Tirso

N'outro dia ouvi Guano Apes, coisa que já não fazia há uns bons dez anos.

No princípio foi a fascinação do reencontro, o relembrar de memórias já recalcadas no armazém cerebral, relegadas para um canto forrado a teias de aranha, numa das poucas prateleiras não ocupadas com futebol, cerveja e fêmeas.

Depois, dei-me lentamente conta que afinal aquilo não era tão bom quanto isso. Pior, à medida que as faixas iam avançando, percebi que cada uma era mais básica e fraquinha que a anterior. Que as letras caminhavam inseguras em bicos de pés pela fronteira tripartida entre o infantil, o absurdo e a comédia não intencional.
...suponho que o avançar dos anos nos faça glorificar inconscientemente coisas que para nós tenham tido alguma relevância no passado - o que significa que no futuro acabaremos por ficar desapontados quando nos deparamos novamente com elas.

Bolísticamente falando, é possível que afinal a minha memória seja toldada pela tal glorificação do passado quando digo no café que o Caccioli fez uma média de quarenta e duas venenosas assistências/ano para golos de contra-golpe do Mangonga nas treze épocas que partilharam o relvado do Adelino Ribeiro Novo. Porém, folheando os Cadernos da Bola, vejo que apenas coçaram as respectivas partes baixas no mesmo balneário durante três épocas, de 92 a 95. E o Makopoloka Mangonga nunca marcou mais de sete golos num ano.

Oh well...chamemos-lhe o Efeito Guano Apes, ou "a memória da minha adolescência acabou de ruir como um castelo de cartas ao qual foi ateado fogo durante um terramoto de 9.2 na escala de Rochemback, seguido de um tsunami, a Júlia Pinheiro aos berros num megafone e uma queda de meteoros".
E com isto pusemos o Carlos Martins a chorar de novo. Calma, rapaz. Respira fundo que isso passa.
Mas o melhor exemplo da aplicação do "Efeito Guano Apes" na minha memória boleira nem é a proficuidade (ou falta dela) do Caccioli no que respeita ao destrocar de acintosos passes para golo.

Quando me perguntam por Santo Tirso, normalmente respondo algo incoerente que inclua os termos "jesuítas", "gajos com demasiado gel no cabelo", "doçaria conventual", "crianças de 8 anos a coser sapatos", "Lamborghinis" e "o grande Tirsense dos anos 90".
Posteriormente, começo a debitar informação mais ou menos fidedigna relacionada com esse período histórico da colectividade nortenha, enquanto me babo, imito expressões faciais do Paredão, esbracejo furiosamente, festejo golos do Marcelo através de mímica e faço o pino três ou quatro vezes. Sou um fã.*


Porém, olhando com frieza para trás, vejo que as três qualificações Europeias (quartos-de-final da Liga dos Campeões inclusivé), o 3º lugar em 1996, as duas Taças de Portugal, a presença do Caetano num torneio vencido pela Selecção Nacional**, e os 8-0 em Alvalade nunca aconteceram.
OK, uma delas aconteceu, mas as outras são pura ficção.

Será que o Tirsense nunca foi tão bom quanto o pintei na minha distorcida mente?
Será que foi tudo um lindo sonho?
Será que estamos perante o temido "Efeito Guano Apes"?

Sim. (pára de chorar, Martins. Cacete.)

Na verdade, durante os 90's, os Jesuítas Negros estiveram apenas cinco anos no escalão principal, tendo sido relegados à 2ª Divisão de Honra em três deles (16º em 90/91 e 92/93, e 18º [!!] em 95/96). Verifico dolorosamente que nunca passaram do posto (94/95), e que Caetano nunca foi o melhor marcador da 1ª Divisão (1934 - presente).
Uma merda, é o que é.
Porém, em Honra da minha memória daquilo que nunca foi o FC Tirsense, 'bora escarnecer e zombar de meia-dúzia de cromos.
















É fácil falar do Marcelo, do Caetano, Paredão e Siasia (aliás, tão fácil, que já falei de todos eles acima - e agora do Siasia também), mas quem é que se vai recordar destes dois trambolhos?

É demasiado simples ignorá-los: o José Carlos é uma espécie de Vítor Nóvoa do Tirso, um aquecedor de banco com um frontespício semelhante a 83% de todos os serial killers alguma vez registados. O Zé das Redes apenas realizou um mísero desafio em toda a época, dado encontrar-se na sombra do gigante Goran. Vem daí, se alguém encontrar o sérvio sem vida no leito de um rio, por favor não se surpreenda.Quanto ao Mota, também ele tem sósias. Aliás, não lhe chamaria sósias. Diria que o diminuto lateral tem sérias parecenças com uma meia cheia de laranjas. Não sei porque raio alguém iria encher uma meia com laranjas, mas imagino que caso o fizessem, o resultado iria ser semelhante à cara do Mota. E pronto...ao menos jogava à bola, coisa que o amigo José Carlos não podia afirmar com ar sério.

Mas há mais. Também temos o Jorge, que não tocava muito no esférico, mas tinha uma expressão facial de enfado assaz interessante. O Jorge só fez um jogo - mais uns trocos - na época da foto (95/96). Curiosamente, o Tirsense ficou em último lugar do Campeonato, com 17 derrotas e 53 golos sofridos. Vocês sabem do que estou a falar.













...e falta este cromo, que todos reconhecem do Farense. Mas o que faz ele em Santo Tirso?


Diria que não trabalha numa fábrica de têxteis, pois já não é propriamente uma criança. Pois bem, sucede que este Luisão (que é central como o outro, mas sem a embriaguez ao volante e a cabeça fálica), rastejou até ao Ave no final da carreira, onde se arrastou até ao final da época de 95/96. Felizmente, não teve oportunidade de se arrastar muito (5 jogos, 3 amarelos), evitando assim sujar o seu belo equipamento Reebok que ostentava orgulhosamente o ditame "Vale de Tábuas" ao peito. Ainda para mais, é parecido com a Grace Jones. Não sei se isso faz dele andrógino, até porque ela é bastante...hm...andrógina. Na pior das hipóteses, o Luisão é parecido com uma mulher que é parecida com um homem. Não sei se isso é bom, se é mau. Estou confuso.

Só sei que não voltarei a ouvir Guano Apes tão cedo.

----

* foto gentilmente gamada daqui

** pois é: Caetano.

sábado, novembro 13, 2010

Sob o signo do Amor

A Cerquelha.


Poderosa entidade pilosa, marca indelével de personalidade vincada, carimbo de entrada para mil noites de prazer na cálida bôite do sexo oposto. Apêndice piliforme garboso, desenhando poemas através de penadas que fazem do céu estrelado mais um recreio da mono-sobrancelhose.

Bruno Ribeiro sabe do que falamos. O rústico gingão do Sado quebrou corações pelas bancadas portuguesas e britânicas com o seu estilo rural-casual durante década e meia do mais puro sexy football, alicerçado na brutalidade negligé de quem trata a redondinha com altivez carregada de piloso orgulho e frondosa glândula sebácea. Um metro e setenta e dois de pé esquerdo-arte, eternizado no museu do beautiful game.

Bruno "The Elland Road Heartbreaker" Ribeiro mostrou-nos que era possível juntar pêlo e esférico na mesma frase, enquanto se seduz uma elegante fêmea com doce cântico de origem dérmica, exaltado através de envolvente voz amparada num qualquer semáforo de uma cinzenta rua da vetusta e chuvosa Leeds. Só um louco ousaria apostar contra o sucesso do nosso Bruno e o seu confiante meio-sorriso, envolvido em leve odor de feno e curtume - seja às margens do Sado, seja na pachorrente urbe inglesa, a cerquelha levará sempre a melhor. E dama alguma jamais vos dirá o oposto.

Porém, Capitão Toby pisa outros terrenos: os da pequena área e da perene jovialidade envergonhada.

Um sedutor, versado nas intemporais artes do arrastar da asa, conjugadas com o bater de asas que potencia vôos à inalcançável gaveta, local onde os avançados sonham meter a redondinha com o mais desavergonhado golpe de ousadia. Ele chega lá.


Aliás, Capitão Toby é Ícaro nunca derrotado, Herói alado invicto na sua quimera de voar até onde mais nenhum Homem sonheu fazê-lo. Isto apesar de ser odontologicamente desfavorecido, claro.

Taborda é exemplo para todos os que nunca se atreveram a fantasiar em sair da mediocridade imposta por uma cremalheira agressiva. Toby apertou a mão a Deus, calcorreou as gélidas planícies do Planeta Vermelho e nadou na calmaria dos Anéis de Saturno. Toby beijou os abrasadores lábios de Vénus e cheirou o bigode de António Sala. Tudo porque estamos perante um Homem que se permitiu a si mesmo sonhar. Alcançar aquela bola impossível, sair ao cruzamento tenso de um lateral-esquerdo, fazer a mancha ao veloz avançado do Ceará.

"I've got you under my teeth", cantarolava o crooner Taborda às miúdas que o esperavam à saída dos treinos, enquanto procuravam ver o seu reflexo no impecável esmalte do guardião.

Depois lá se refugiava nos balneários com duas ou três sortudas de cada vez, perante o sorriso conivente dos seus companheiros de métier.
"Aqui está um homem que ousou sonhar!", sussurravam felizes enquanto se despediam a caminho de casa.
Com dentição perfeita, porém sós. Eternamente sós.

quarta-feira, maio 05, 2010

Beto, Beto, Beto

O pessoal que não é de Lisboa diz que o pessoal de Lisboa é beto.
O pessoal de Lisboa corrige e diz que só o pessoal da linha de Cascais é que é beto.
O pessoal de Cascais, por seu turno, não tem outra opção senão sentir-se confortável com o seu modus vivendi ou então desabafar as maiores alarvidades ao volante do seu automóvel de elevada cilindrada enquanto está encalhado em mais engarrafamento na A5.

O nosso ponto: Betos há muitos. Com idiossincrasias muito acentuadas, como exemplificaremos.
Este Beto é do mais pungente que pode haver. Afinal, jogou num clube de betos. Foi o capitão deles, o mais beto dos betos. Teve cabelo de beto. Tem cara de beto, e logo daqueles que dá na ganza. Aposto que já usou sapatos de vela, pólos Burberry e camisas Sacoor Brothers, daquelas azuis com o rato nas costas e colarinhos brancos. Deve tratar os sobrinhos por você. Quase de certeza que organizou um jantar de beneficência ao Krpan porque pensava que ele seria um sem-abrigo. Joga, ou vai jogando, no clube que está ali entre as vivendas do Restelo e o concelho de Oeiras – portanto, clube geograficamente mais próximo do burgo central da betalhada só mesmo o Estoril (com jeitinho, ainda lá vai parar). Casou com uma mulher tão saliente quanto impregnada de silicone.
E porquê? Porque jogava bem à bola? Talvez. Por ser beto? Quiçá. Por ser o Beto? Ora aí está: a ambição de qualquer mulher com visão de futuro é contrair matrimónio com um futuro Real Madrid. Infelizmente, há especulações que nunca se concretizam materialmente. E então lá se vai o matrimónio e lá vêm as festas em catadupa.
O pesadelo do beto é ser forçado a andar de transporte público, juntamente com a gente das obras; o pesadelo deste Beto, porém, foi um camião chamado Custódio e um polícia chamado Paulo Bento. E aí a sua betice começou a ser posta em causa. Para nunca mais recuperar.
Num plano intermédio, temos este Beto. Que também começou no mesmo clube associado à betice. E não é só por causa disso que o seu nome artístico não é Pimparel. É que Pimparel ultrapassa o limite do razoável, reconheçamos. É um nome que faz o Pittbull parecer ter um nome de pessoa inteligente.
Este Beto, em rigor, não era muito beto. Era um gajo vaidoso, quanto muito, mas nunca deve ter tido um free-pass para entrar Kapital. Depois enrijeceu a barba junto dos pescadores de Leixões. Tanto voou, tanto espalhafato deu, que foi parar ao clube dos que se dizem anti-betos por excelência – aqueles que dizem que comem três sopas de cavalo cansado ao pequeno-almoço, mais uma frutinha e um telefonema a um agente desportivo na penumbra para ganhar jogos que não interessam para nada.
Lógico era que mudasse de nome. Se "beto" está demasiado colado a Lisboa, "bimbo" está colado ao Porto. Ora aí está, vamos chamar-te Bimbo e fazer-te um novo baptizado para este teu renascimento competitivo. Porque Pimparel, mesmo que fosse válido por estar no BI, estava completamente fora de hipótese. Mas por causa de direitos de marca e pressão da Panrico, Bimbo também foi uma hipótese que não saiu do papel. Envolvido nestas improfícuas discussões filosóficas, Beto deu um excelente aquecedor de banco, sendo inclusivamente seleccionado por causa desse mérito indiscutível das suas nádegas. E mesmo em certas ocasiões, quando se previa que saltasse do banco, deu-se primazia às luvas do Espírito Santo, enregeladas e extremamente sebosas, até na tepidez algarvia.
No fundo desta dinastia de betos, temos o não-beto. Um Beto acidental. Quer dizer, olhamos para a figura deste médio e para os clubes onde passou e dizemos logo que quem lhe deu a alcunha não estava a ver bem o filme. Até porque possuía Galdino no nome. Isto é a antítese do beto, o que o yin está para o yang.
Os verdadeiros betos nunca lhe perdoaram esta usurpação do nome. Se este Beto por acaso entrasse com um chapéu de viking numa praça de touros, o local para onde confluem imensas manadas de betos aos urros de “eh!, touro!”, todos iriam repugnar-se de tal forma (“Meu Deus, que horror! Aquilo tem mesmo ar de pobre!”) que ainda iriam pensar que estava ali um touro bípede.
Um bom livre no Paços, um bom golo no Beira-Mar e pronto, uma inesperada passagem para o clube com maior percentagem de adeptos desdentados de Lisboa. Sim, Lisboa é paradoxal: mesmo em frente a um dos grandes centros de opulência encontra-se o grande santuário da xungaria. E apesar do seu peculiar aspecto, chamava-se Beto e um beto no meio dos taxistas e dos garrafões não podia acabar bem.
As contradições não cessavam. Um futebol bruto digno de Fernando Aguiar mas com uma suave oxigenação capilar digna de Ruth Marlene. Um portentoso engano contra o Manchester United e sucessivas confirmações de desastre contra as equipas do campeonato português. Os adeptos estavam confusos.
Solução: apagá-lo rapidamente da nossa memória, lavar o nosso cérebro para acreditar que ele nunca aqui esteve. Este Beto, hoje em dia, é já um X-File classificado e nem o Mulder parece muito convicto da sua existência.
Agora está na Grécia. A Grécia em crise profunda, onde apenas o engenheiro do penta prospera. Esperamos que se esteja a dar bem. Porque ele, lá no fundo, merece ser feliz como os verdadeiros betos que têm as fortunas da família a sustentá-los.

O pessoal depois vinga-se nos comentários. “Eh pá, ó Rodrigues, eu até gosto da vossa SAD, mas de vez em quando vocês são um bocado parvos”. “Eh pá, ó Rodrigues, e para quando um post sobre o Paulo Vida? “Eh pá, ó Rodrigues, isso é só má fé, não tens tomates para dizer o que escreves à frente dos gajos”. Por falar em tomates:

domingo, abril 04, 2010

FC Porto 8 - Valonguense 0

1997-1998.
Estádio das Antas
Valonguense...
acho que vão perceber porque razão figuram neste blog os jogadores do Valonguense. Chamo a especial atenção para o GR suplente, ERNESTO. ERNESTO.
A voz inconfundível de Costa Monteiro é também uma relíquia assinalável.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Petições Para Que Vos Quero

As petições. Ah, as petições, as petições… O que seria deste mundo sem as petições? O que seria do Rui Santos sem uma petição? Provavelmente, apenas mais um viciado em gel barato, aos caídos pelo Intendente, ressacando pela sua dose diária de azeite. É uma pergunta que ele pode deixar a si próprio para responder no próximo programa.
As petições, hoje em dia, são conhecidas pela enorme relevância que assumem no caos democrático em que vivemos. Por exemplo, Rui Santos conseguiu mobilizar para a sua petição personalidades tão afastadas do futebol como Almeida Santos, Bárbara Guimarães ou Cuíkeh Flores.
Há quem pense que as petições são coisa nova. Mas não. Pelos menos, já desde os tempos da queda do Muro de Berlim que circulavam petições por aí. Eis três exemplos.

1 – Petição “Meninas Não Entram Em Chaves”

Em 1991, Slavkov deslumbrava nas margens do Tâmega. Com os seus passes desenhados a régua e esquadro e bolas que faziam cuchi-cuchi às redes, Slavkov levava todo o povo flaviense a sonhar de olhos abertos. Pudera. Os olhos não se podiam distrair daqueles postes de iluminação com publicidades monstruosas a uma entidade de construção civil com um nome tão catchy como era a ACCIOP. Mas, lá no fundo, Slavkov não andava bem. Sentia falta do velho bigode que personalizava a mística transmontana. Ultimamente, o balneário andava tão imberbe que até a mais pueril das ginastas da ex-RDA faria um figurão. Radi, Zdravkov para os amigos, tinha abalado e com ele levado um pouco do coração de Slavkov. É que Radi (não confundir com Rudi, por favor) era dono de um excelso bigode de inspiração bárbara que era capaz de mobilizar toda uma horda de guerreiros sedentos de bom futebol apenas com um pequeno esgar, como podemos constatar neste pictograma de 1988:
Este bigode era capaz de motivar todo um balneário, toda uma equipa, toda uma região. É certo que Diamantino, o capataz flaviense, possuía um bigode de fazer inveja a qualquer taberneiro que assa frangos de mangas arregaçadas com um avental da Scotch-Brite. Todavia, Diamantino já anunciara a sua retirada e a sua total dedicação ao negócio de enchimento de alheiras. Foi então que Slavkov, não conseguindo esconder o seu défice de carinho atrás do seu rosto quadrado, fez passar a sua petição, requisitando mais pilosidades infra-nasais no Desportivo local, de preferência farfalhudas.
Paulo Alexandre foi logo o primeiro a assiná-la, convencido que só o bigode de Manuel Correia seria insuficiente para assegurar a consistência do eixo defensivo. Lila também assinou de bom grado, pois tudo o que distraísse o público do seu nome que fazia pesadelos a Fernando Seara era bem-vindo. Depois Rudi assinou por simpatia. Vule assinou de cruz. E todos os outros se seguiriam, incluindo o próprio Diamantino, ciente que o seu testemunho seria passado a um rosto suficientemente viril.
O resultado final: um enorme sucesso. Chaves foi presenteado não com um, mas sim com dois bigodes – o portuguesíssimo Tavares e o obscuro búlgaro Tanev, recrutado numa taberna de Plovdiv. Agora Slavkov podia sorrir outra vez. Mas não o fez. Porque Slavkov jamais sorria.

2 – Petição “Mais Sal Para o Futebol Madeirense”

Na pérola do Atlântico, os canários piavam fininho. Isto porque havia pouca substância futebolística na torre de Babel em que se tornara o União. Entre balões e desmarcações desconexas, Markovic discutia com Lepi, este barafustava com Jairo, Jairo repreendia Dragan enquanto este se agastava com Stilic, e Nelinho, o português, perdido no meio, dizia “hã?”. O que faltava em golos sobrava em confusão.
Vai daí, Nelinho, pequeno no nome mas com enorme espírito de resistência, empreendeu uma petição em que clamava pelo verdadeiro sal do futebol: os golos. Para tal, precisava que a direcção reforçasse o clube com mais trunfos.
Nelinho explicou a questão aos colegas, em português. Isto levou cada um deles a interpretar à sua maneira a explicação de Nelinho. Por exemplo, Markovic escondeu a Bíblia do Marco Aurélio no cacifo do Valadas e Edilson começou a correr à volta do campo sem objectivo aparente. Mas Nelinho lá conseguiu recolher um número aceitável de assinaturas, não contando todavia com a receptividade de Matias, que protestou “Qu’esta m**da, car***o?!?”.
A direcção sensibilizou-se e respondeu com a contratação do equatoriano Quiñonez. E depois com o brasileiro Manu. Nelinho exasperava com as dificuldades de comunicação. O sal do futebol continuava ausente. Até que a direcção, farta das exigências de Nelinho, arranjou-lhe o mais próximo que conseguiu:
Não foi sal, foi Pimenta. E, curiosamente, este nem sequer marcava golos, quanto muito tentava evitá-los com o seu portentoso par de sobrancelhas.
Nelinho, desalentado, acabou por desistir das petições. Dedicou-se antes a cursar sérvio, espanhol, algum búlgaro pelo sim pelo não e linguagem gestual, na qual se graduou com distinção.

3 – Petição “Se Um Caccioli Incomoda Muita Gente, Dois Cacciolis Incomodam muito Mais”

Milton Caccioli
, a calva mais conhecida do Minho, elevou-se desde cedo à condição de mito – facto reconhecido humildemente pela Cromos da Bola, SAD. A sua presença em campo significava um bom espectáculo. Hoje a sua presença fora de palco significa uma boa pizza. Caccioli estava de facto destinado para grandes feitos. Os adversários tremiam com o brilho da sua careca refulgindo ao sol e os colegas bebiam os raios de luz que saíam dos seus pés sob a forma de bolas de Berlim carregadas de açúcar e creme. A cabeça de Caccioli apenas pensava em futebol, passes rasgados e tabelinhas mágicas, pelo que nem havia espaço para o cabelo crescer em terreno futebolisticamente tão fértil.
Cientes que Caccioli era o Rei Midas de Famalicão, o plantel apressou-se a engendrar uma estratégia de capitalização do seu maior activo – ou seja, seria possível multiplicar o efeito-Caccioli? O plantel elaborou uma petição nesse sentido e a resposta foi um retumbante “sim”.
Não foi sequer preciso recorrer a gente rebuscada, como políticos, músicos ou apresentadores de TV. Nada disso: a resposta estava no próprio plantel. O seu nome era Luís Miguel. Podia ter sido um Carlos Alberto ou Pedro Alexandre qualquer, mas o escolhido foi Luís Miguel. Uma vez designado por unanimidade o novo Caccioli, Tanta, Lula e Ben-Hur retocaram Luís Miguel. Deram-lhe uns encontrões, cortaram-lhe o cabelo à chapada, pisaram-no aqui e acolá, mandaram-lhe uns quantos berros bem dados e Luís Miguel ficou pronto.
Estava lá tudo: a pose, a calvície e o olhar de desafio ao sol. Luís Miguel era a sósia que Caccioli nunca sonhou ter no próprio plantel.
Mas Luís Miguel não aguentou a responsabilidade. Não estava preparado para ir aos céus tão repentinamente. Ao fim de seis jogos, os seus nervos quebraram e Luís Miguel ficou feito em fanicos. Há quem diga que foi o Tanta, o Menad desconfiou do Lula, o Ben-Hur assobiou para o ar. O certo é que Luís Miguel não conseguiu ser o Caccioli que todos desejaram. A petição, contudo, tinha sido um sucesso sem paralelo.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Festa da Taça

Este post simples e eficaz quer homenagear 2 cromos da bola que entraram na festa da taça, através do descohecido Monsanto, da II Divisão B.

MARÇAL - campeão pelo Boavista, a sua carreira foi sempre a descer, mas lá está de novo na ribalta. Todos se lembrarão do cabelinho amarelo, perinha amarela...um visual sui generis no Setúbal. Passou ainda por Felgueiras, Ovarense e até pelo Lixa!


VÍTOR ALVES - Ex guardião da Académica de Coimbra, jogou até final dos anos 90. Era o eterno suplente da equipa dos estudantes, atrás de Tó Luís, Sérgio, Pedro Roma...

mas jogou com Latapy, Lewis, João Tomás, Febras, Dário, o grande Dinda... entre outros. Vítor Alves deve ser um baú de boas histórias cromáticas dos relvados portugueses...

Obrigado Taça por trazeres para a montra do futebol verdadeiros monstros da bola.

sábado, agosto 15, 2009

Baston Revisitado

Burgos, 1994

(conversa traduzida de castelhano para tagalog, de tagalog para inglês e de inglês para português)

- Sr. Presidente, posso dar-lhe uma palavrinha?
- Sim, claro, dou sempre ouvidos ao meu treinador.
- Sr. Presidente, I think we have a situation here. [NOTA: a tradução para tagalog custou-nos um dinheirão, por isso cortámos na tradução inglês-português]
- Então, como assim?
- Aquele rapaz que temos na baliza…
- Rapaz?
- Yeah, o careca de bigode que perdia sempre a jogar poker no estágio…
- Oh, thaaat goalkeeper!... O que tem?
- Estive a fazer um estudo cuidado do seu perfil, analisei bem o seu potencial, enquadrei-o face às ambições da nossa equipa e cheguei a uma conclusão.
- Que foi?
- We gotta get rid of that son-of-a-bitch. Now.
- Ooooh!... Porquê?
- Porque os testes que efectuei provam que ele é um óptimo carteiro. É mesmo o indivíduo do plantel que mostra as melhores aptidões para exercer esta tarefa. E estes testes são infalíveis. But we’re not looking for a bloody mailman to save our goal! Sir, temos que encontrar um tipo a sério, se quisermos manter a dignidade.
- Tipo o quê? Um Filip De Wilde?
- Hell no! Para já, ficávamos com o nosso suplente, que acabou de cortar 8 dedos na máquina de cortar relva, mas que é um bom rapaz e o melhor genro que um treinador pode ter, if you know what I mean.
- Acha que esse suplente dá garantias, sem esses dedos todos?
- Well, he told me that he expects his fingers to grow back until Tuesday…
- E acha que isso vai acontecer?
- Bem… Se não for Terça será Quarta ou Quinta, depende de como o Betadine actuar… Nós temos é que resolver este “caso-Baston” já! Ele está a afectar a moral da equipa!
- E para onde o vamos despachar?
- Beats me… Hey, you’re the boss, not me…
- Quem seria capaz de o receber sem levantar questões?
- E que tal… o sr. Presidente não se dava muito bem com um tipo chamado Toñino que foi jogar para um clube português, o Sporting of the Keys? Parece-me uma boa opção, tínhamos facilidade em recomendá-lo…
- That’s it! We’ll send him there! O Baston não será mais um problema para Burgos!
- Nem para Espanha!…
- God be praised!

Chaves, 1995

Ao princípio, as gentes achavam-lhe graça. “Olha, pai, parece o nosso carteiro!”, dizia a criança nas bancadas graníticas do Municipal flaviense, agitando a bandeira azul-grenat pelos ares robustos do Marão. Toda a esperança do mundo estava depositada naquele guardião espanhol, o símbolo do renascimento do Desportivo. Mas não tardou até que os calejados olhos transmontanos chorassem lágrimas de incredulidade e de desgosto profundo. “Porquê, pai? Porquê?”, interrogava-se a criança, esfregando os olhos sob o consolo paternal do progenitor, também ele vergastado pela desilusão, que lhe afagava o cabelo e a custo emitia “É apenas um pesadelo, filho. É apenas um pesadelo”.
Não. Era apenas a dura realidade.

segunda-feira, junho 15, 2009

Chamar a Música - A Sequela

Prometemos que iríamos regressar com mais uma ligeira incursão pelas profundezas sórdidas e insalubres do satânico casamento entre a bola e o mundo da música, e quando Cromos da Bola SAD promete, Cromos da Bola SAD cumpre.

Vota Cromos da Bola SAD.

Prosseguimos com um álbum que fez furor em 1997, um ano de boa colheita, que contou com surpreendentes clássicos do calibre de "O Meu Transistor Não Tem Pilhas" de Nicola Spassov, ou "Songs From Niksic" da revelação Drago Poleksic's Big Band.

Falamos obviamente de "Pequeñito en Old Trafford", o disco de estreia de Costa.


















Quatro cançonetas agridoces, imbuídas de uma ingenuidade desarmante e de um talento a toda a prova. Um tetra de chansons de travo gaulês, regadas com uma leve fragrância a escândalo.

O surpreendente petiz bracarense, lançado às feras pelo criativo produtor Tony Oliveira, mostra-se ao Mundo com a candura própria de quem sonhou um dia acariciar os maiores palcos planetários, e os afagou com a inexperiência própria da primeira vez.
E como não há amor como o primeiro, este álbum terá marcado definitivamente a carreira do noviço baladeiro, que se despede dos seus recém conquistados fãs com a derradeira faixa do álbum, a comovente "Au Revoir (el dulce beso de la muerte)".

De um beijoqueiro para outro, desta feita narramos as sensuais desventuras do indiscutível rei das lusas redes, pintadas a tons de sedução vocal.
Neno quer deixar uma marca indelével nas nossas almas, e sobretudo na nossa retina. Como tal, decide martelar-nos a visão com sete impressões do seu nome em maiúsculas, e mais três para a sobremesa, em minúsculas.
Questiono-me: Qual será mesmo o nome do álbum?













Será "NENO NENO NENO NENO NENO NENO NENO" ou "neno neno neno"? Ou ainda "NENO NENO NENO NENO NENO neno neno neno NENO NENO"?
Só sei que nada sei. Isso, e que o referido álbum será de certa forma homónimo. Provavelmente pluri-homónimo.

Para um artista cujo momento mais alto passou por ficar com o maxilar preso na rede, cheira-me a demasiado pretensiosismo...mas claro que o meu olfacto ficou irremediavelmente danificado desde que fui ao Festival do Feijão de Bucelas com o Odaír, o Pu e o Vinícius.
De toda a maneira, o meu sentido auditivo ainda está aí para as curvas, portanto podem contar com futuras versões da relativamente-premiada rubrica intitulada "Chamar a Música".

quarta-feira, abril 01, 2009

Palavras Para Quê?

Não há muito a dizer sobre Rodolfo Rodriguez (com “z”, que o gajo não é meu primo – ufa!). É até muito sensato não o fazer, sob pena dele vir atrás de nós encabeçando um grupo de mariachis assassinos.

O uruguaio que foi ídolo no Brasil e que passeou o seu golpe de vista pelo Campo Grande.

Perdeu o lugar para o quarentão Damas. Por causa da experiência.
Perdeu o lugar para o jovem Rui Correia. Por causa dos reflexos.
Perdeu o lugar para o elástico Vital. Porque sim.

Assumiu que tinha cara feia e que não tinha culpa disso.
Foi esta a sua grande defesa.

Isto é pura “old school”. Um cromo a 100%. Um bigode a 200%.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Os Gordos Somos Nós

Quando se associa o adjectivo “gordo” ao substantivo “futebol” surgem normalmente três respostas:

- Rochemback;
- Miguel Veloso;
- A esposa do protector e progenitor de Miguel Veloso, quando grávida deste, a comer pastéis de nata de forma alarve depois de embuchados dez menus Big Mac XL e com o Rochemback às cavalitas, depois deste ter passado três meses no Brasil apenas a comer a gordura da picanha com o mínimo de movimento possível.

Pois bem. Se quanto à última hipótese não subsistem dúvidas relativamente à adiposidade envolvida, pese embora a sua aderência apenas indirecta ao futebol, quanto aos buchas de Alvalade a realidade factual surpreende os mais distraídos.

Segundo a fórmula de cálculo do famoso IMC – Índice de Massa Corporal, Miguel Veloso nem sequer é gordo: com os seus simpáticos 24,4 de IMC, Miguel Veloso é, pasme-se, “normal”. Quem diria. A ciência, porém, não nos deixa mentir.

E Rochemback, de quem esperaríamos no mínimo ter um pneuzinho a mais, a bunda um pouco descaída, uns papos no pescoço ou algo do género, deixa-nos de boca aberta: o brasileiro apresenta uns saudáveis 24,8 e, embora no limiar do excesso de peso, é também um tipo “normal”. Ou seja, a lentidão que é a sua imagem de marca não é consequência da sua massa corporal, mas apenas feitio. E que feitio.

É um pouco mais a norte que encontramos os verdadeiros gordos do futebol indígena. Curiosamente, dois guarda-redes, que bem poderiam ter sido dois guarda-tachos, tal o apetite voraz que os caracteriza.

A temporada 2007/08 do Freamunde iniciou-se sob nuvens pesadas e um ambiente carregado. Os problemas eram notórios e difíceis de depurar. Existia uma concorrência apertada para a baliza e era quase impossível que dois egos tão gigantes como os que são apresentados de seguida não chocassem entre si, de tão desmesurados que eram.

Rui Ribeiro, “el gordo” de Freamunde, devorava amiúde capões inteiros ao pequeno-almoço. Ganhou alguma notoriedade engolindo as bolas mais suculentas que lhe eram rematadas. Tinha ficado uma época quase em jejum de jogos e jejum é coisa que não liga com Rui Ribeiro. Nesta temporada, Rui Ribeiro jurara para si mesmo que iria devorar todas as sandes de leitão que vislumbrasse nos estágios da equipa, decidido a recuperar a seu estatuto. IMC = 27,2. Ou seja, “excesso de peso”.




Porém, Tó Figueira, “el glutón”, não estava pelos ajustes. Proveniente de Famalicão, Tó Figueira botava a mão aos doces conventuais com maior perícia do que botava a mão à bola. Tó Figueira, o terror de qualquer jantar de grupo, absorvia quantidades indescritíveis de alimento, desde doces da casa até presunto de Chaves. Uma vez durante um treino, quase que sorvia Bock de uma só penada, convencido que o notável avançado era mesmo uma cerveja fresquinha. Tó é Figueira porque ingeriu a árvore em vez de andar a escolher os frutos um a um, o que era uma trabalheira. IMC = 28,3. O que significa “excesso de peso”, a caminhar a passos largos para “obesidade grau I”.

A escolha era tão difícil que o técnico Jorge Regadas optou pelo terceiro guarda-redes, deixando estes dois volumosos jogadores a lutar entre si num restaurante qualquer. Então eles decidiram-se por um tira-teimas épico, onde ganharia aquele que mais conseguisse enfardar sem rebentar. Valia tudo, desde comer resíduos de lipoaspiração até antropofagia, excepto comer pacotes de açúcar inteiros.

O aperitivo estava no próprio plantel: o jovem e franzino Artur, uma espécie de Albert Hammond Jr. com algum jeito para a bola. Rui Ribeiro considerou que, com alguma boa vontade, o cabelo do apetitoso Artur assemelhava-se a algodão doce. Já Tó Figueira, deliciado com a qualidade de passe do guedelhudo Artur, afiou os dentes a pensar no delicioso petisco que seriam aquelas pernas e pés.


Para já, Tó Figueira tem alguma vantagem: partiu na pole-position, devorou 3 pratos de cozido à portuguesa, metade da vaca que aparece nos produtos “La Vache Qui Rit” e toda a colecção dos gordurosos frascos de gel do Rui Santos; Rui Ribeiro também vai bem, mas para além dos três quilos de arroz de pato, ainda só comeu dois ou três placards publicitários à volta do campo do Freamunde e está com dificuldades em mascar as partes mais recônditas da sua fritadeira.

Ao pé destes dois, Rochemback e Miguel Veloso são uns meninos, Miguel Veloso de forma literal.

E não podia deixar de abordar o tema Freamunde nem referir Bock sem colocar uma fotografia do mesmo. Bock existe, Bock está aqui, Bock penetra-nos a mente com o seu olhar assassino. Enquanto vocês liam este texto na diagonal, Bock facturou mais um golo.




Feliz Natal e que Rudi esteja convosco.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Os Caça-Fantasmas (revistos)

Ano: 1996.

Facto: Criação do maior fantasma vivo do futebol português.













Pois… Não era bem este. Era mais este que está aqui em baixo à esquerda – abstenham-se das outras distracções, em especial o sujeito de tronco nu que exibe uma compleição física excelente para a prática do berlinde.















Solução: contratar um caça-fantasmas. Ou melhor, dois… não vá a porca torcer o rabo.

Apreciações iniciais do caça-fantasmas #1Popeye Wozniak:









Apesar de não ser o melhor dos cartões de visita, ainda se notava algum optimismo e esperança. Pobres ingénuos.

Apreciações iniciais do caça-fantasmas #2 – Um escandinavo chamado Lars, mas não Ulrich:









Havia uma certa desconfiança logo à partida, o que não augurava nada de bom ao sueco contratado com a missão expressa de eliminar as memórias de Baía. Afinal, estas cadernetas até chegaram a louvar a acutilância ofensiva de Bermúdez e o fino recorte técnico de Glenn Helder

Conclusão: OK, Caça-Fantasmas foi um bom filme, mas isto na vida real é outra coisa.

Não é, Lars?
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...